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Jornal do Concelho de Oleiros | Directora: Daniela Silva | Periodicidade: Trimestral | Agosto 2020 nº75 Ano XVI
Editorial
É hora de dizer basta
116711536_290920458854834_4328084683799998674_n.jpgO concelho de Oleiros foi, no passado dia 25 de julho, assolado por um incêndio florestal de dimensões devastadoras e assassinas. Não é a primeira vez que acontece e certamente não será a última se o Estado continuar a olhar para estes territórios apenas com palavras. Oleiros é um dos pulmões mais importantes do país. A sua floresta é a riqueza de quem cá vive, mas também de quem nunca cá veio, mas que por força deste pulmão verde consegue respirar um ar menos poluído.
Infelizmente o discurso dos nossos governantes repete-se, os abraços também, mas depois pouco ou nada é feito. Um facto transversal a todos os governos. As autarquias esforçam-se, alguns proprietários também. Há os que limpam, os que não limpam a floresta porque lhes falta o dinheiro necessário para a sua sobrevivência e os que não limpam porque não querem. Quando chega, por mão criminosa (a maioria será assim), o incêndio queima tudo e, pior que isso, tira-nos vidas humanas. 
É tempo de dizer basta. É tempo de exigir justiça, custe o que custar. Em 2003 veio o inferno. Devastador. Perdeu-se floresta, casas de habitação, riqueza, vidas humanas. De então para cá pouco ou nada o Poder Central fez. Todos os Governos deveriam meter a mão na consciência. Em 2017, outros incêndios dizimaram uma parte importante do concelho. Mais uma vez perdeu-se outra vida de um homem que estava a combater o fogo, de alguém a quem o atual Primeiro Ministro recusou apoiar a sua família, com o argumento que o fogo, em que esse funcionário da autarquia faleceu, foi fora do calendário estabelecido em Decreto Lei. Uma vergonha que não foi corrigida, tendo o Gabinete de António Costa aconselhado a família a colocar o Estado em Tribunal. Ao que chegámos.
É tempo de dizer basta. Os oleirenses são resilientes, trabalhadores, amam a sua terra como ninguém, mas merecem respeito. Os abraços consolam, mas não resolvem. De uma vez por todas o Estado tem que assumir as suas responsabilidades e vir para o terreno. Não com multas, nem coimas. Mas com ações de emparcelamento, limpeza, reflorestação, fiscalização e justiça para quem comete atos hediondos como colocar a floresta a arder. 
É tempo de dizer basta.
A direção
Frame vídeo/RTP