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Jornal do Concelho de Oleiros | Directora: Daniela Silva | Periodicidade: Trimestral | Dezembro 2020 nº77 Ano XVI
Investigação revela antiga glaciação
Mais de 400 milhões de anos de história descobertos no concelho de Oleiros

naturtejoo.JPGFósseis marinhos, com idade compreendida entre os 444 e os 467 milhões de anos, foram descobertos numa área localizada entre as povoações de Cambas e Orvalho, durante trabalhos de investigação coordenados pela paleontóloga Sofia Pereira, da Universidade de Coimbra. Os trabalhos de campo decorreram entre 4 e 7 de outubro numa área que é parte integrante do Geopark Naturtejo e os fósseis encontrados "correspondem ao período Ordovícico Médio a Superior", como explica a autarquia de Oleiros.
A investigação teve o apoio do município daquele concelho do Pinhal, da Naturtejo e deverão ter continuidade com o apoio da Junta de Freguesia de Orvalho, localidade que deverá acolher um Centro de Interpretação, onde ficarão reunidos alguns dos fósseis agora descobertos e que no futuro venham a ser encontrados.
Em nota enviada ao Oleiros Magazine, a autarquia explica que esta investigação conta com a participação de Carlos Neto Carvalho, diretor científico do Geopark Naturtejo (o primeiro a ser criado em Portugal e a ter a chancela da Unesco). Nessa área terá sido identificada "a ocorrência de faunas onde abundam diferentes espécies de trilobites e de minúsculos crustáceos ostracodos, braquiópodes, bivalves, equinodermes, briozoários, entre muitos outros".
De resto, Carlos Neto Carvalho já tinha descrito fósseis que datam de há quase 480 milhões de anos. Ao Reconquista, a autarquia explica que os trabalhos agora realizados permitiram descobrir "novos sítios paleontológicos, incluindo fósseis de braquiópodes nunca antes identificados em Portugal". O Município justifica esta declaração na palavras de Jorge Colmenar, especialista espanhol a trabalhar na Universidade de Ghent, na Bélgica.
fossil.JPGA autarquia recorda que os investigadores "detetaram evidências de uma antiga glaciação que sucedeu há 450 milhões de anos e que levou à segunda maior extinção em massa de sempre, com o desaparecimento de 85% da vida marinha de então".
A mesma nota esclarece que as pequenas "rochas calcárias, com uma enorme diversidade de pequenos fósseis muito bem preservados, permitem identificar um período de rápido aquecimento global que poderá ter despoletado a glaciação ordovícica". E acrescenta: "estas são evidências de alterações climáticas do passado que nos podem ajudar a prever cenários para um futuro próximo do nosso planeta".
O território onde hoje está o concelho de Oleiros terá sofrido uma glaciação. Diz o Município que "nas Portas do Muradal, próximo de Vilar Barroco foram encontrados, entre rochas muito deformadas por colisões de continentes, restos de fósseis bem preservados de uma fauna com características incomuns para a sua idade".
Os trabalhos de investigação vão prosseguir na Serra do Moradal e prevê-se que os primeiros resultados possam ser publicados no início do próximo ano, na revista Geoconservation Research dedicado aos fósseis dos Geoparques UNESCO europeus.
Outras áreas que se revelaram ricas em fósseis destas idades incluem o Monumento Natural das Portas de Ródão, a Serra do Perdigão e a Herdade de Vale Feitoso.